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16 June, 2018

“Mudar” por Gezinei Rodrigues

Das pessoas que chamei para participar do projeto, o Gezinei foi um daqueles que mais apresentou vontade, mostrando a aceitação e o bom relacionamento do próprio corpo logo de cara, mas explicando que nem sempre foi assim. Então decidimos falar sobre a metamorfose que somos, as transcendências que o espirito ultrapassa e permite olharmos para a carne de outra forma.


“Analisando as transformações que aconteceram durante minha infância, adolescência e atualmente, a melhor palavra para me descrever seria mudança: quando você está passível a mudanças e quebrar rupturas, você permite que seu corpo seja aceito por você mesmo. ”

As pessoas têm certos problemas com o desconhecido, a mudança em si nunca é bem-vinda porque exige a distorção da cultura estagnada e empregada durante séculos, exige que seja contrariado os conceitos aceitos como belo, mas “não há problemas em mudar, aliás, é isso que somos, constante mudanças. Nada é parado e sólido, no decorrer da vida somos submetidos a diversas coisas que nos modificam e somos obrigados a se adequar para sobreviver. ”


Para Gezinei, a aceitação foi algo que aconteceu no decorrer dos anos: “fui uma criança criada no interior e dentro de uma família rígida que pouco se preocupava com aparência, cresci com essa perspectiva e a beleza estética era algo sem importância para mim, se brincar, não sabia nem a utilidade de um espelho. Isso perdurou durante toda a minha infância”.

“Com a essência dessa infância, no iniciar a minha adolescência continuei desligado quanto ao corpo e tudo relacionado a ele. Até que em determinado momento comecei a perceber que por conta desse desligamento e por ser “fora do padrão”, pouco a pouco o fato de ser gordinho acarretava em certas brincadeiras que, mesmo aparentemente não revelando, mexiam comigo interiormente. Então, em um determinado momento dessa fase, resolvi que deveria emagrecer e fui da maneira mais abrupta possível: não me alimentava direito, tentava fazer exercícios e muitas vezes acaba passando mal.”


“Quando entrei para a carreira de modelo percebi que nada é bom o suficiente, o seu corpo nunca é bom o suficiente. Se você é magro, tem que ser mais magro. Se você é musculoso tem que ser mais musculoso. Não tardou para entender que existem várias formas de você se sentir bem; cultuo a ideia que não existe um estereótipo de corpo para você se sentir bem, mas sim de lidar com as próprias inseguranças e estar disposto a essas mudanças que a vida dispõe”, diz Gezinei.

“Ainda tenho inseguranças – sempre haverá algo que a gente quer mudar ou acha que pode melhorar. Atualmente já lido de uma forma diferente, por exemplo, por ter sido gordinho tenho a cintura mais larga, isso me incomodou durante anos, mas hoje isso já não me atormenta mais, pois consigo confrontar essa insegurança e não permitir que ela e muitas coisas me machuque ou afetem minha autoestima. A partir do momento que você confronta essas inseguranças tudo se torna mais fácil, inclusive viver. ”



mudar /v/
1.fazer ou sofrer modificação; modificar(-se), alterar(-se). 2. deslocar ou transferir(-se) para outro local. 3. apresentar(-se) de modo diferente, física ou moralmente;

Texto: Igor Medeiroz
Fotografia: Igor Medeiroz

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