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16 April, 2018

“In(sólito)” por Henrico Campos

O Que seja nu. surgiu, o esboço foi unir o nu artístico com histórias únicas de cada participante, a proposta foi (e ainda é) desmitificar o corpo, deixa-lo menos tabu, menos sexual e observar a potência de cada um que parasse em frente as lentes e compartilhasse um pouco de si.




Crescemos dentro de uma sociedade que diz o que devemos fazer ou não com o nosso (próprio) corpo. Meninos usam azul, meninas usam rosa, bom ser magro, ter o cabelo liso (ou cacheado se estiver na moda); existe alguns modelos padrões, alto e esbelto, que nos roubam da normalidade dos nossos corpos. Se for feio, fique vestido. Se for bonito, mostra, mostra porque os olhos não querem ver quem está ali no retrato, mas como está ali, como é o corpo, qual é o tamanho, quais são as outras medidas.





Quando o Henrico disse "sempre estou procurando uma forma de se encaixar e de sentir bem" propus que o ensaio se chamasse In(sólito), porque poderia brincar com a ideia de não pertencimento e ao mesmo tempo de poder pertencer. "Adoramos a ideia de acordar e encontrar com as pessoas que são do nosso nicho, que nos confortam e nos fazem sentir parte de algo maior do que nossa individualidade".

Nessa perspectiva abrimos mão do que é nosso, como as convicções, as culturas e até mesmo mudamos o nosso jeito de ser, como eu disse, para que possamos pertencer a algo. A grande questão é, às vezes, abrimos mão da nossa parte insólita, a parte que não deve pertencer a nada além de nós mesmo é deixada de lado, porque apreciamos a ideia de que “precisamos” fazer parte.






Digo isso porque, talvez, não seja normal acordar e não apreciar o tamanho do nariz, a diferença dos dentes, as gordurinhas a mais. Às vezes me encontro diante disso, desses questionamentos que faço a mim mesmo e depois me pego refletindo sobre “qual a origem disso?”. Será o motivo dessa solitude as pessoas dizerem que deveria ser assim, invés de assado?






Talvez devêssemos ser todos assado, para mostrar que somos iguais na diferença, nos tamanhos, nas belezas. Que está tudo bem ser diferente e não precisar se encaixar, com o corpo, em algum estado de beleza que sempre exige demais do que apenas aceitação.




in(sólito) /adj/
1. que não é habitual; infrequente, raro, incomum, anormal. 2. que se opõe aos usos e costumes; que é contrário às regras, à tradição. (1. que se acostumou, que adquiriu o hábito; habituado, acostumado. 2. que costuma acontecer com frequência, que não é raro; costumeiro, habitual, usual.)


Texto: Igor Medeiroz
Fotografia: Igor Medeiroz

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