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31 March, 2018

“Intimidade” por Vitor Batista

Pra quem me conhece sabe o quanto tenho facilidade em falar de sentimentos e relacionamentos, por sorte, não sou o único que se sente à vontade com o assunto, a conversa com o Victor foi sobre amores antigos, corações partidos e aventuras. Sempre existe uma história que chama atenção e até mesmo lembramos com um carinho imenso, guardamos no bolso da caminha, do lado esquerdo, perto do coração:

"Depois de muitas quedas, descobri que às vezes quando tudo dá errado de repente acontecem coisas tão maravilhosas que jamais teriam acontecido se tudo tivesse dado certo. Quando me amei de verdade pude compreender que em qualquer circunstância eu estava no lugar certo na hora certa. Me apaixonei por um cara que foi muito especial para mim, a forma que nos conhecemos foi intrigante, e curioso, na escadaria da igreja lá estava ele, participando do mesmo evento que eu, apesar de ambos terem ido todos os dias apenas no último nos conhecemos, acompanhado de uma troca de olhares e sorrisos com os olhos. "


- Olá, Roberto.
- Oi.
Éramos tímidos, então foi curto e rápido.

Sabe quando seus olhos ficam tão vidrados que você deixa de perceber o tempo, as coisas perdem os sentidos? Durante aquele dia, aquela cena se repetiu várias e várias vezes na minha cabeça; tudo muito confuso, porque nunca tinha sentido algo daquele jeito, não sei se foi pela beleza, carisma, a forma que me olhou ou apertou as minhas mãos. Aconteceu algo ali.


Mais tarde, na mesma noite, sentamos juntos e conseguimos trocar algumas palavras, de onde morava, telefone, essas coisas; apesar de ter passado o dia com ele na cabeça, foi tudo muito natural essa troca de informações. Desde então, o tempo foi passando e a amizade crescendo. Apesar de morar longe da minha casa, ele nunca se inibiu no deslocamento, quando queremos estar perto de alguém isso não impede; o ano foi passando e estávamos mais intensos, fazendo coisas juntos e sendo felizes de uma forma muito boa.

Ele é extrovertido, bonito, inteligente, fazer coisas de quem se importa, não tardou para dizer que me amava. As coisas ficaram mais estreitas para o meu lado, porque eu sabia sobre a minha escolha, eu o amava faria qualquer coisa que estivesse ao meu alcance por ele. Havia essa reciprocidade, mas ele se dizia, e diz até hoje, ser hétero. A intimidade que tínhamos era absurda para ele dizer que não poderia haver nada entre nós ou me afirmar que era apenas amizade, pelo o medo de perder ter sido maior que qualquer coisa, não cheguei a tentar além de uma “amizade”, nunca rolou um beijo ou sexo - namorávamos com direito a ciúmes, de tomarmos banhos juntos, de assistir filmes de conchinha, de estar perto e não desgrudar um do outro e de ter partes do corpo sempre se tocando.


Nunca irei me esquecer quando ele começou a namorar uma menina e só fiquei sabendo um mês depois, quando questionei, com a desculpa de que “eu não iria gostar”. E eu nunca entendi porque teria que gostar ou não gostar, o que minha opinião tinha em relação ao namoro? Então um segundo questionamento veio à cabeça “o que estava acontecendo entre a gente que afetava ele também? ”.

As coisas estavam mudando rápido demais, já não recebia tanta atenção dele por causa da nova namorada. Comecei a ter ciúmes e demonstrar para ele que estava com ciúmes e ele não me repreendeu, mas falou que iria me dar mais atenção. Um tempo depois descobri o termino do namoro e percebi pela aproximação repentina, a saudade sem precisar dizer nada, as coisas começaram a voltar a ser como antes, muito amor envolvido, o cheiro dele pairava aonde quer que eu estivesse, a paixão voltava a crescer; e eu ainda com medo de tentar algo, perdi várias oportunidades, mas o medo de magoar era maior.

Isso começou a ficar tão sufocante, difícil, eu insistia comigo mesmo que ele deveria me dar uma resposta sobre tudo aquilo, um sinal que fosse sei lá, as vezes acho que foi isso que eu errei, tentar achar uma explicação e não viver realmente tudo aquilo sem se preocupar.


Um dia, depois de mais de dois anos de história decidi que precisava sentar e conversar, mas não consegui. Esperei ele ir embora e mandei mensagem com um textão daqueles contando tudo: o que estava sentindo e o quanto precisava de um posicionamento dele.

 Uma demora pra responder, e uma resposta surgiu, meio sem pensar.

A ficha veio cair quando ele disse “eu te amo, mas como meu amigo, você como alguém próximo a mim deveria saber do que eu gosto e do que eu não gosto”, não vi mais nada, comecei a chorar a ficar decepcionado comigo e com ele, poderia ter me falado a verdade desde o início. Até hoje busco isso dele. Cheguei a questionar inúmeras vezes tudo que vivíamos, a nossa intimidade incomum, os momentos que olhávamos um para outro esperando a reação para ter algo mais íntimo, queria pelo menos que ele tivesse escrito “você é louco, isso nunca aconteceu”.

Se passaram semanas ele ainda tentou voltar a conversar como se nada tivesse acontecido, mas eu estava muito magoado, muito mesmo. Então resolvi esquecer esse sentimento ruim e viver novas aventuras, me dedicar mais no trabalho, namorei um cara incrível, apaixonei de novo. Foi a mesma época em que ele noivou, com a minha amiga de infância e como se não bastasse recebi o convite para ser padrinho, sim eu iria ser padrinho do casamento dele, mesmo depois de muito tempo sem falar, sem tocar no assunto que nos afastou por tanto tempo. Eu aceitei porque sabia eu estava dando um passo por mim mesmo, nossa me senti tão bem, por estar vendo a situação de outra forma. Percebi que podemos ser felizes e fazer as pessoas felizes independentes do que ela nos causou, retribuir momentos bons.



Só o tempo para curar muita coisa, hoje ele ainda não sabe o que quer (o casamento não deu certo) e achou que em algum momento tudo poderia voltar a ser como antes depois de muitos anos, mas infelizmente aqui o amor próprio faz morada e não pretende sair tão cedo.

Eu, sigo a vida muito feliz, cantando e sorrindo.

O amor te surpreende de várias formas.


intimidade /sf/
1. a vida doméstica, cotididana. "poucos usufruem de sua i." 2. relação muito próxima; amizade íntima; familiaridade.

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